SEÇÃO Estudos Bíblicos
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     Quarta, 26 de Novembro de 2014

Estudos Bíblicos      Discipulado       -

LIVRO - ARMADURA DE DEUS

Publicado em 1/29/2004

Takayoshi Katagiri (katagiri@nutecnet.com.br)
JesusSite

Outubro e Novembro/2002

A ARMADURA DE DEUS (1) - CONSIDERAÇÕES

Mensagens sobre a armadura de Deus são normalmente freqüentes nos púlpitos de nossas igrejas. Vez por outra aparece um(a) amado(a) pregador(a) ministrando sobre o assunto.

Gostaria, nesta oportunidade, de tecer algumas considerações sobre o assunto, muito embora seja um tema já muito batido. Não quero, com isso, dizer que esta é a melhor ou mais completa.

Quando Paulo escreveu aos cristãos da cidade de Éfeso sobre a armadura de Deus, muito provavelmente ele tinha em mente a imagem de uma armadura de soldado romano: couraça, sandálias, escudo, cinto, espada, e capacete.

Por que temos que trajar a armadura de Deus? Como se faz para trajar essa armadura? O que significa cada peça dessa armadura? Gostaria de explanar sobre cada peça nas próximas mensagens, e explicar o motivo, a causa de tantas pessoas que se afastam de nossas igrejas. Magoadas, feridas, desiludidas, decepcionadas, desapontadas, aborrecidas.

Muito embora haja alguns pregadores da Palavra de Deus que insistam em ensinar que nós estamos no paraíso terrestre, na terra que mana leite e mel (Ex.3:8), a realidade e a descrição bíblica mostram que estamos em guerra contra os amorreus, os heveus, os heteus, os perizeus e todos os demais povos pela posse de nossa alma. Quem são esses povos que estão ocupando nossa alma? São nossos sentimentos carnais (Gal.5:19-21).

A guerra de que fala a Bíblia não é uma guerra de mísseis intercontinentais teleguiados. É uma luta corpo a corpo, homem a homem (ou alma a alma). Nesse tipo de guerra, sabe quem são os primeiros a morrer? Os fracos, os doentes, os desvalidos. Eles não têm como lutar, como se defender.... acabam morrendo... e abandonam a igreja.

Depois, morrem os idiotas, os cretinos, os indisciplinados, os ignorantes. Os que não sabem lutar, não querem aprender a lutar, não sabem manejar suas armas, não trajam a armadura, não empunham o escudo e nem a espada do espírito. Não se dedicam, não se esmeram, não se esforçam em aprender a arte da guerra, da defesa pessoal. O inimigo vem sobre eles, e não tem nenhuma dificuldade de feri-los.... Feridos... acabam morrendo, e abandonam a igreja...

A couraça só protege quem está dentro dela. Não adianta ficar OLHANDO para a couraça. Ela não faz nada sozinha. Assim também o escudo, o capacete e a espada. Entende o quero dizer? Daí porque vários ministros, obreiros consagrados, caem feridos... eles deixaram de trajar a armadura, e são feridos pelo Inimigo...

Uma pergunta importante: como se traja a armadura de Deus? Só tem um jeito: fazendo uso das duas moedas deixadas pelo Samaritano: o Espírito Santo e a Palavra de Deus (Lucas 10).

O Espírito Santo é acionado pela oração. O contato com Deus ocorre pela oração. Quanto mais oração, mais do Espírito temos. Quanto menos oração... menos do Espírito Santo conseguimos...

Quanto mais lemos e estudamos a Bíblia mais conhecemos de Deus, mais fortalecidos ficamos. Por outro lado... quanto menos lemos, quanto menos estudamos, mais fracos ficamos... Se não lemos e nem estudamos a Bíblia...

Não existem fórmulas mágicas, instantâneas... Temos que crescer na graça, pela ocupação do Espírito Santo em nossa alma, e no conhecimento, pela leitura da Bíblia (II Pe.3:18).

Estamos todos em trajes de guerra? A nossa permanência na igreja, a nossa firmeza ao final do dia, de cada dia, depende dela! A guerra não ocorre apenas aos domingos, mas todos os dias. Nossa sobrevivência depende dela.


A ARMADURA DE DEUS (2) - O CINTO DA VERDADE

Estamos falando sobre a armadura de Deus. Paulo começa a sua exposição com o cinto da verdade.

Muitos leitores da Bíblia não compreendem o que significa a expressão "cingir os lombos com a verdade". Significa apenas e tão-somente isso: estar usando o cinto da verdade.

"O que é verdade?" perguntou Pôncio Pilatos a Jesus. Mas não esperou a resposta.

As pessoas não acreditam na verdade, e nem deixam de acreditar na mentira. Elas acreditam no que querem, no que lhes convém ou é lucrativo acreditar.

A nossa primeira barreira, a nossa primeira defesa contra as astutas ciladas do Diabo é a verdade. Sem ela as demais partes da armadura não funcionam.

... e o que tem de cristão mentiroso na igreja... não está escrito...

Leia com cuidado e detalhes os livros dos profetas Isaias, Ezequiel e Jeremias (principalmente). Lá estão muitas e muitas referências à falsidade e à hipocrisia do povo...

Não obstante, a verdade não deve ser dita a qualquer custo, a qualquer preço. É o que está escrito em Zacarias 8:16-17 - a verdade deve ser dita sempre em favor da paz. Daí porque posso afirmar com absoluta certeza de que "mentira que edifica e verdade que destrói não provém de Deus".

Existem dois casos curiosos em que, paradoxalmente, Deus abençoou quem mentiu: as parteiras hebréias no Egito (Êxodo 1) e Raabe, a prostituta que ajudou os dois espias em Jericó (Josué 6:23-23). Por que Deus fez isso? Elas mentiram. É verdade. E Deus as abençoou. É verdade. Mas foram dois casos específicos em que vidas estavam em jogo. Por isso, para salvar vidas podemos mentir? Não!?!

Não sou eu quem vai julgar os pecadores. Estarei entre os que vão julgar os anjos que caíram (I Cor.6), mas não os pecadores. Jesus é quem vai julgar.

A mentira nunca pode ser o primeiro recurso. O primeiro recurso tem que ser sempre a verdade.

Lembro-me do maravilhoso testemunho de um irmão. Ele agradeceu a Deus, e dava graças, mas numa parte de seu testemunho, falou sobre uma mentira que lhe salvou a vida. Ele era bandido, e numa perseguição, já baleado, escondeu-se na casa de um homem que disse aos seus perseguidores que ele não estava lá. Tal e qual Raabe e os espias (espiões) de Israel.

Jamais quero ser colocado numa situação destas. Não sei, sinceramente, o que faria... O que você faria? Mentiria ou entregaria o homem aos seus algozes?

A Bíblia diz que a misericórdia triunfa sobre o Juízo (Tiago 2:13).

Não quero, com isso, justificar a mentira, explicá-la, ou defendê-la. Quero apenas que o(a) amado(a) leitor(a) tenha consciência de suas responsabilidades. E que Deus, nosso Deus é um Deus de amor e misericórdia. Ele trata cada de acordo com a situação concreta. Não faz generalizações injustas.

Quem ama e comete a mentira não tem parte na glória de Deus (Apo. 21:8 e 22:15).

Uma coisa é ser obrigado a mentir para salvar uma vida (talvez a própria vida). Outra coisa é mentir para ganhar alguma coisa, ou para não perder outra coisa.

Lembra-se de Naamã? O leproso general do Exercito do Rei da Síria? Ele pediu que Deus o perdoasse quando tivesse que se inclinar diante das estátuas que o Rei adorava. E Elizeu disse: vai em paz (II Reis 5)!

A verdade é a rocha onde podemos edificar nossa vida. Quem constrói sua vida sobre a mentira, mais cedo ou mais tarde vai vê-la ruir e se transformar em escombros.


A ARMADURA DE DEUS (3) - COURAÇA DA JUSTIÇA

Estamos falando sobre a armadura de Deus. Paulo continua sua exposição falando sobre a couraça da justiça. Como é essa couraça da Justiça? Para que serve essa couraça da Justiça? O equivalente hoje à couraça da Justiça seria um colete à prova de balas.

No tempo em que as batalhas dependiam mais de homens do que recursos técnicos e equipamentos sofisticados, uma vida podia depender da couraça. Existiam muitos tipos de couraças. A que Paulo estava visualizando provavelmente eram duas peças metálicas inteiriças amarradas entre si, uma para proteger as costas e outra para proteger a parte frontal do corpo.

A diferença da utilidade espiritual da couraça e do escudo é pequena.

A couraça trata da justiça de Deus. Os ataques diabólicos são diretos em nossa alma, em nosso espírito, em nosso coração. Acusações, medos, traumas, fobias, dúvidas...

Não temos proteção natural contra estas coisas. O ser humano é medroso, mesquinho, violento por natureza. Somente DENTRO da couraça é que estamos livres deste tipo de ataques. Eles (os ataques) continuarão mas enquanto estivermos dentro da couraça, não surtirão efeitos.

O que é essa couraça da Justiça? É Jesus. Em Jeremias 23:6, a Bíblia diz que Jesus seria a NOSSA JUSTIÇA. Essa couraça é JESUS. Quem está em Jesus não sente esses ataques. Não que esses ataques deixem de existir. Continuarão existindo, mas quem está em Jesus não é abalado por esses ataques; não tem medo, não tem dúvidas,

A Bíblia diz em Hebreus 2:14 que o Diabo usa o medo para fazer prisioneiros. Muitos cristãos estão aprisionados pelo medo. Medo: de perder o emprego, os bens conseguidos com muito custo e sacrifício, os filhos, o cônjuge (marido ou esposa); do que aconteceu no passado; do futuro; de que o passado retorne; da morte; entre muito outros.

A Bíblia diz que se Deus vier a agir, quem o impedirá (Isaias 43:13)? Quem é maior do que nosso Deus que possa frustrar seus planos (Jó 42:2)?

O que tem acontecido, e muito, são promessas falsas de falsos profetas que tem ministrado que Deus é obrigado a defender o cristão mesmo quando ele está errado. Que mesmo em meio ao roubo, à desonestidade, ao desleixo, ao pecado, Deus é obrigado a resolver todos os problemas do cristão (teologia do Oba-Oba).

O nosso medo é decorrente de dois elementos: a dor e o desconhecido. Temos medo do que pode nos causar dor, e do que não conhecemos.

Então, quando a couraça da Justiça nos reveste, é necessário que deixemos de dar valor às coisas terrenas, na forma como Jesus disse para ajuntar tesouros no céu (Mt.6:19-21), ou como Paulo que considerava esta vida e toda a sua glória como esterco (Fil.3:7-8); e crer que tudo quanto acontece conosco, filhos de Deus, é pela expressa permissão de Deus (Rom.8:28). O Diabo ataca nossos bens, as pessoas que amamos, nossa segurança, nossa saúde, e tudo quanto temos. E tanto maior será o resultado positivo, quanto maior for o valor que dermos ao que está nesta terra, neste mundo. Conclusão lógica: quanto menos valor dermos ao mundo e ao que nele está, menor o poder do Diabo sobre nós.

A couraça protege nosso coração, nossa alma, nosso espírito do medo, da dúvida. Sem essa couraça da Justiça (Jesus), somos assaltados pelo medo, pelo pânico, pelo pavor. Quem não está trajando essa couraça não tem descanso, não tem paz, não está em comunhão com Deus, de modo que as mínimas coisas são capazes de fazê-lo desistir de continuar no Caminho de Deus.

O(a) amado(a) leitor(a) está em Jesus? Não basta olhar para a couraça, temos que estar trajando-a.


A ARMADURA DE DEUS (4) - SANDÁLIAS DA PAZ

Estamos falando sobre a armadura de Deus. Paulo continua sua exposição falando sobre a necessidade que há de que o cristão tenha os pés calçados na preparação do Evangelho da paz.

Para que servem os calçados? Para proteger nossos pés! E de que esses calçados protegem? Das pedras pontiagudas e dos espinhos!

Nos desertos, existem pedras cortantes. Nas matas, existem espinhos. Nas pedras, a planta de nossos pés é desgastada. E assim sucessivamente.

Antes de falarmos o que vem a ser essas pedras ou esses espinhos, penso ser importante perguntar qual é a reação natural quando uma pessoa pisa num espinho? Primeiro ela grita, depois ela xinga. A dor desperta em nós um sentimento de raiva. E extravasamos nossa raiva com o desejo de ferir, machucar, ofender, insultar; de retribuir a dor que sentimos.

A vingança ocorre quando ferimos quem nos feriu, causamos dor a quem dor nos causou, afligimos quem nos afligiu. Assim, sintomático que o desejo de vingança é o desejo de ferir quem nos feriu, causar dor a quem dor nos causou, afligir quem nos afligiu. Toda vez que xingamos estamos expressando raiva, dor, ódio, frustração, desapontamento, decepção e coisas tais.

Se e quando xingamos algo ou alguém, simplesmente estamos desejando infligir-lhe dor e sofrimento. Estamos querendo que essa pessoa sofra, que sinta dor e aflição. Se nosso insulto, nossa ofensa atingir seu objetivo, essa pessoa se sentir ferida, humilhada, machucada.... teremos conseguido atingir nosso objetivo.

Muito embora situações diversas possam nos fazer ficar aborrecidos (um plano, um projeto que não certo, por exemplo), vamos concentrar nossa atenção no relacionamento com as pessoas.

É incrível como nós nos deixamos controlar e manipular pelos outros. Quer dizer: somos rudes com quem é rude; intolerantes com quem é intolerante; grossos com quem é grosso; ríspidos com quem é ríspido. Ficamos magoados com a aspereza das pessoas, e passamos a ser também ásperos. Quando nós tratamos as pessoas da forma como elas nos tratam, estamos dando a elas o poder, o controle sobre nossas vidas, sobre nosso comportamento. E essa é uma arma poderosíssima nas mãos de nosso Inimigo. Para nos tirar a paz, para que percamos nossa comunhão com Deus, para colocar areia em nossa comunicação com Deus, para obstruir nosso contato e ligação com o Espírito Santo de Deus, basta que ele (o diabo) consiga nos deixar aborrecidos, chateados, irritados, desapontados, decepcionados, frustrados!

Quem tem seus pés calçados com o Evangelho da paz não se deixa abalar pelo comportamento alheio. Não importa o que façam ou deixem de fazer. Não importa o que sejam ou deixem de ser. "O Senhor deu, o Senhor tirou. Glorificado seja o nome do Senhor" (Jó 1:21).

Tente visualizar a seguinte situação: um(a) amado(a) irmão(ã) está num culto, cantando louvores a Deus, sentindo a paz de Deus, enchendo-se da glória do Senhor. Depois, ouve uma palavra de conforto, de esperança, de fé, de ânimo, e agradece a Deus. Terminado o culto, na saída sorri para um conhecido presente, que não está... "em seus melhores dias", não foi tocado pelo Espírito Santo, e com o rosto pesado, revelando dor e sofrimento (raiva, frustração), grunhe alguma coisa, se vira e vai embora sem retribuir o sorriso. Pronto! Toda espiritualidade correu chão abaixo... Talvez outra coisa, qualquer coisa, mas que faz com que aquela alegria, aquela paz, aquela sensação de gozo e leveza se dissipe, se desvaneça, desapareça...

Percebe a importância dos calçados da paz? O(a) amado(a) leitor(a) está com os pés calçados no Evangelho da paz?


A ARMADURA DE DEUS (5) - ESCUDO DA FÉ

Estamos falando sobre a armadura de Deus. Paulo continua sua exposição falando que devemos tomar "sobretudo o escudo da fé, com o qual podemos apagar os dardos inflamados do maligno" (Ef.6:16).

Normalmente os pregadores gostam de usar esse termo fé. "Ter fé". Mas essa fé é pouco utilizada. Pelo menos nos termos da mensagem que estou a compilar, creio, com a graça e com a direção do Espírito de Deus. Daí porque há milhares de cristãos magoados, feridos, decepcionados, frustrados, abatidos que abandonam nossas congregações.

Conforme já disse anteriormente, a diferença entre as funções do escudo da fé e da couraça da justiça são pequenas. A couraça protege nosso corpo espiritual dos ataques do Maligno em nossa alma, em nosso espírito. Com a couraça, deixamos de ter medo, dúvidas, pânico. A couraça da Justiça é estática. Fica parada em nossa corpo. Ou estamos dentro ou fora da couraça (Justiça de Deus - Jesus).

O escudo, no entanto, precisa ser manejado, movimentado. E para isso é preciso treino, habilidade, conhecimento, destreza que a maioria dos amados irmãos não tem.

Todos nós somos corpo de Cristo. Um corpo que tem muitos membros, e que... como é que posso dizer?... não tem muita harmonia entre si. Paulo fala sobre isso em I Cor.12.

Enquanto que a couraça da Justiça protege nossa alma dos diretos ataques diabólicos, o escudo da fé nos protege dos ataques nos quais são usados(as) nossos(as) os(as) amados(as) irmãos(ãs) na fé, mesmo inconscientemente ou com boas intenções.

Aqueles que não estão aparelhados com o escudo da fé sentem esses ataques, e se magoam e ficam frustrados, decepcionados, e... afastam-se da igreja.

Uma certa vez eu recebi pela internet um texto que fala com exatidão o que pretendo descrever. Fala de uma manada de porcos-espinhos durante o inverno. Uma parte do texto: uma grande manada de porcos-espinhos decidiu fazer algo para garantir a sobrevivência. Alguém sugeriu que se ficassem juntos e bem perto uns dos outros, os calores de seus corpos poderiam aquecer uns aos outros de forma que todos ficassem aquecidos nessas noites frias. E assim fizeram. Passou o tempo, e começaram as reclamações. Um reclamava daqui, outro dali, um não queria ficar perto deste, preferia aquele e assim por diante. A situação foi se agravando e uns começaram a falar mal dos outros. Quanto mais nervosos ficavam tanto mais seus espinhos ficavam ouriçados, até que esses espinhos começaram a ferir uns aos outros. Já não podiam mais ficar juntos por causa dos espinhos. Feridos e magoados uns com os outros resolveram se separar. Não dava mais para continuar juntos. Por isso, foram se afastando uns dos outros até a completa separação. Mas o inverno continuava. As noites eram muito frias. Alguns porcos-espinhos chegaram a morrer congelados. À noite a situação ficava mais difícil. Logo, resolveram reunir-se outra vez para tratar do problema. Decidiram que para sobreviver àquele inverno precisariam tomar algumas precauções e suportar as espetadelas uns dos outros. Assim agindo, conseguiram sobreviver àquele terrível inverno.

Acredito que é necessário fazer mais duas observações quanto ao escudo da fé. A primeira é no tocante aos que nos ferem e nos magoam. Eles não são, necessariamente, nossos inimigos. O fato de adotarem um comportamento.... "inadequado" ou "não muito recomendável", vamos assim dizer, não quer dizer, que queiram nos prejudicar, ferir, magoar. Repita-se: é possível que não tenham consciência de que as suas atitudes estão nos ferindo e magoando; que estão destruindo e não edificando. É certo que suas boas intenções não têm o condão de retirar os estragos que fazem, que produzem com suas atitudes. Mas esses estragos não nos autorizam, não nos dão o direito de vê-los (e tratá-los) como inimigos. Se você trata como inimigo quem quer o teu bem, então não está praticando o conselho do Autor de Provérbios 27:5-6 - "Melhor é a repreensão aberta do que o amor encoberto. Fiéis são as feridas feitas por quem ama".

Existem três sentimentos que podemos sentir em relação aos nossos companheiros de jornada: amor, ódio e indiferença. Se eu amo, eu quero o melhor para quem eu amo. Se eu odeio, quero que essa pessoa sofra. E se nem amo nem odeio, não me importo com ela. Mas a repreensão, na maior parte das vezes, em vez de gerar gratidão, gera um sentimento de rejeição e humilhação.

Certa vez eu fui para a casa de um amigo, e sua irmã estava com o projeto da construção de uma casa. Meu amigo pediu para que eu desse uma olhada no projeto, poderia dar alguma sugestão para melhorá-lo. Sua irmã não pensou assim. Ela disse: "já vai botar defeito no meu projeto". Ela não via uma sugestão que poderia melhorar o projeto como uma ajuda, mas como uma crítica, um ato de rejeição. Detalhe: o projeto poderia ser melhorado.

Outra vez eu vi um amado irmão tentando amarrar uma rede, mas não do melhor jeito, e eu fui lá ensiná-lo a dar um nó que mais se adequou à corda com o punho de uma rede. O rapaz simplesmente se afastou de mim. Não recebeu a minha atitude como um ato de ajuda, mas achou que eu estivesse querendo "mostrar que sabia", que eu era melhor que ele.

Quando uma pessoa procura te orientar no melhor caminho, como você recebe essa ajuda? Pensa que o irmão está querendo te humilhar? Recebe isso como uma ofensa, como uma humilhação? Vê o amado como um inimigo que pretende te ferir, te magoar, te humilhar?

A segunda observação é no tocante à possibilidade de estarmos errados.

Temos que tomar cuidado com o escudo da fé. Podemos estar usando contra as pessoas erradas. Isto é, podemos estar errados em nossas posições e convicções. Estar na posição de agressor e não na de vítima.

Já te ocorreu alguma vez a possibilidade de estar errado? Isto é, a pessoa de quem esteja discordando estar certa?

Na Bíblia temos o caso de Saul e Davi. Saul estava errado, mas perseguiu Davi, que já era o Ungido de Deus. Jeremias foi afrontado pelo profeta Ananias (Jer.28). E o caso mais grave: Saulo de Tarso. Perseguiu a Igreja de Cristo, convicto de que estava certo. Que os cristãos eram embusteiros, charlatões, enganadores, corruptos, e que por isso mesmo precisavam ser extintos, exterminados.

Se estivermos certos, temos que usar o escudo da fé e dizer: "Senhor, o meu direito e a minha justiça estão diante de ti. Que me poderá fazer o homem?" (Isaias 49:4 e Salmos 56:11 e 118:6).

Se estivermos errados, então estaremos lutando contra Deus. É o que aconteceu com os sacerdotes de Jerusalém (Atos 5:35-39).

Aliás, amados(as) leitores(as), se não tivermos o discernimento espiritual necessário, podemos até estar matando em nome da fé. Isto acontece com freqüência, e já foi previsto por Jesus: "Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis. Expulsar-vos-ão das sinagogas; ainda mais, vem a hora em que qualquer que vos matar julgará prestar um serviço a Deus. E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim" (João 16:1-3).

Como se pode ver, é preciso ser espiritualmente maduro para que possamos discernir entre o bem e o mal (Heb.5:14), através, somente, do conhecimento da Palavra de Deus (I Cor.2:15, Fil.1:9).

Contra quem ou contra o que o(a) amado(a) leitor(a) tem levantado o escudo da fé? Está sendo para salvação ou condenação?


A ARMADURA DE DEUS (6) - CAPACETE DA SALVAÇÃO

Estamos falando sobre a armadura de Deus somente com a qual podemos chegar firmes ao final do dia, ao final de cada dia.

O capacete, óbvio, serve pra proteger a cabeça. Ao contrário do que normalmente se pensa, e se ensina, é na cabeça que se processam as informações e se tomam as decisões.

O que é "capacete da salvação"?

Antes de falarmos desse capacete da salvação, importa saber como somos salvos. Somos salvos pela fé no sacrifício de Cristo, como último cordeiro de Deus. Existe outra coisa que anda emparelhada e fundamenta, sustenta, catalisa a fé: a esperança. Cristão que perdeu o capacete da salvação é cristão que perdeu a esperança. É em esperança que somos salvos (Rom.8:24).

Creio ser oportuno diferenciar o desespero da desesperança. No primeiro caso o desesperado fica aflito, nervoso, inquieto, atônito. O desespero é originado por causas súbitas, repentinas. No segundo caso a esperança vai murchando, desvanecendo, definhando lentamente até desaparecer.

A esperança não pode ser roubada, destruída, mas pode ser sufocada, esmigalhada aos poucos. Neste sentido, o capacete da salvação vai sendo tirado aos poucos, lentamente... sem que o percebamos...

Muitos cristãos estão em nossas igrejas e já estão cansadas de tanto esperar... e pensando seriamente em deixar a igreja.... precisam fazer alguma coisa antes que a situação se torne insustentável...

Cansaço... amado(a) leitor(a), você está cansado(a)? Cansado de esperar? Está pensando em mudar de igreja... de bairro... de religião... ou até mesmo em deixar a igreja de Cristo?

Saiba que a tua situação é semelhante a de milhares de cristãos sinceros... mas que também estão cansados do labor, das lutas, das intrigas, das frustrações, das decepções, dos fuxicos, e das "pauladas" que recebem por querer fazer algo para Deus, mas sem receber o apoio, o incentivo, ou até mesmo a compreensão necessária para continuar trabalhando, batalhando, labutando na obra e na seara do Senhor.

Em Jer.2:25, o povo, desistindo de lutar contra seu desejo, dizia que iriam se entregar às sua devassidão e luxúria. E em Isaias 49:14, está retratado que o povo pensava que o Senhor havia se esquecido dele, e o desamparado, abandonado, rejeitado, desprezado.

"Até quando, Senhor?" é a pergunta que martela a mente e os corações daqueles que estão esperando o livramento do Senhor. E é a pergunta que vemos dezenas de vezes na Bíblia. Por exemplo: Salmos 6:3, 13, 74:9, 89:46, 94; Jer.31:24; Hab.1:2, 2:6; Zac.1:12 e Apo.6:10.

Até quando o Senhor permitirá que sua igreja seja atacada, seu povo seja destruído, suas ovelhas sejam tragadas pelo maligno?

Não sei até quando. O que eu posso afirmar pra ti, é que os que são fiéis permanecerão.

O tempo é cruel e impiedoso. E ao mesmo tempo que cura as feridas, também mata as esperanças...

Israel ficou 400 anos sob a escravidão no Egito. Moisés ficou 40 anos no deserto de Midiã. Jesus esperou 30 anos para iniciar seu ministério.

O tempo é a maior prova que o amor pode dar, passar e receber. O que mais importa não é exatamente o quanto se ama, mas até quando se amará.

Fico sempre maravilhado quando leio Josué 14. Durante 45 (quarenta e cinco) anos Calebe lutou ao lado de Josué. E a sua força, visão, disposição e fé permaneceram inalteradas.

Como está o capacete da salvação em tua cabeça? A paciência é a maior virtude dos grandes lutadores.


A ARMADURA DE DEUS (7) - ESPADA DO ESPÍRITO

A Bíblia contém muitas figuras, muitas alegorias que precisam ser interpretadas, traduzidas, compreendidas para que possam ser praticadas. A Espada do Espírito é uma dessas figuras muito utilizadas e muito pouco praticadas. O próprio versículo diz que a espada do espírito é a palavra de Deus. Talvez seja por isso que temos uma grande parte dos participantes de nossas igrejas que pensa que basta ter a Bíblia que ela faz o resto sozinha...

Não! Não basta ter a Bíblia em casa, ou carregá-la para a igreja para que sejamos instantaneamente transformados em exímios espadachins.

Paulo alertou a Timóteo que o obreiro do Senhor precisa manejar bem a Palavra da Verdade (II Tim.2:15). Como se aprende a manejar uma espada? Treinando. Treino duro, constante, diário. Com muito esforço e dedicação. Ninguém nasce sabendo. Ninguém nasce campeão. Todos os atletas, inclusive aqueles que praticam a esgrima (entre as diversas armas, as espadas), dependem de um treino diário, continuo, dedicado e com muito esforço.

Fazem mais de vinte anos que estou na Igreja. Mais de 20 anos que leio a Bíblia. Isto me deu um bom conhecimento dela. Mas há aqueles que estão já há muitos anos da igreja, e nem sequer podem dizer que leram a Bíblia toda. Não a conhecem. Não podem usá-la como mapa e como bússola. Não sabem como ela "funciona". Não conseguem orientação na Bíblia... e acabarão deixando a igreja de Cristo... poderão continuar freqüentando os cultos, e se divertindo com os programas de lazer. Mas... sem utilizar a espada do espírito, sem entrar nas lutas... fazem parte das duas e meia tribos de Israel que preferiram morar do lado de cá do Jordão.

Não basta ter a Bíblia em casa ou nos cultos. É preciso conhecê-la, tê-la em nossa mente e em nosso coração. Saber o que ela diz, conhecer suas instruções e orientações.

Em João 8:32, a Bíblia diz que se conhecêssemos a verdade, ela nos libertaria. Conclusão lógica: quem não conhece a Verdade continua escravo.

Como se conhece a verdade? Através da Bíblia. Somente através da Bíblia. Não há alternativas. Mesmo que um anjo venha nos dizer o que fazer, se não estiver de acordo com a Bíblia, deve ser rejeitado de imediato (Gal.1:9).

Nós somos peregrinos e forasteiros (I Ped. 2:11) nesta terra. Estamos aqui de passagem para que possamos aportar em Jerusalém Celestial (Heb.11:6). Um caminho desconhecido para todos nós. Um caminho de desertos, de serpentes e escorpiões (Deut.8:15). Longo e sinuoso. Muitas vezes, ficamos confusos e não sabemos como agir em muitas situações. A Bíblia responde. Ela diz como devemos agir em cada ocasião. Só precisamos descobrir onde na Bíblia estão as instruções.

Mas... para tanto, precisamos conhecer a Bíblia. Quem não conhece a Bíblia não saberá como agir, ou como reagir quando chegarem as lutas, as tribulações, as decepções, as "pauladas" das lideranças da igreja. Quem não sabe como reagir diante destas situações, raramente fará o que é certo. Quando fazemos, pela primeira vez, o que não sabemos fazer, com quase toda certeza, faremos errado.

Recomendo a leitura da mensagem SABEDORIA, onde concluo que ela é o resultado da interação entre a teoria (conhecimento da Bíblia) e a prática (experiência). Quem apenas conhece a Bíblia, não pode dizer que é sábio (I Cor.8:1b). E quem tem apenas experiência também não pode dizer o mesmo. Aliás, quem é sábio jamais vai alardear que o é.

É preciso manejar bem a palavra da Verdade. Conhecê-la e utilizá-la em favor da Igreja de Cristo. Esse permanecerá firme.


A ARMADURA DE DEUS (8) - CONCLUSÃO

Depois de tudo que foi dito, discorrido e explicado até agora, fica fácil fazer uma conclusão. Pelo menos para mim.

Espero que o(a) amado(a) leitor(a) tenha apreciado a leitura, e que também tenha sido útil para o crescimento espiritual.

O caminho do Cristão foi retratado com muita propriedade por John Bunnyan (ou coisa parecida) no livro O PEREGRINO, cuja leitura recomendo a todos.

Não estamos sozinhos nesta jornada. Temos toda uma igreja a nos acompanhar. Como seria bom se todos fossem humildes, cordatos, generosos e compreensivos. Não é mesmo?

Nós, Obreiros da Casa do Senhor, somos os condutores desse grande (e complicado) rebanho.

Quando as pessoas vêm para a Igreja, elas não são instantaneamente transformadas em santas e irrepreensíveis. Elas continuam sendo, durante muito tempo (tempo demais até) o que foram no mundo: falsas, presunçosas, egoístas, fechadas, desconfiadas, hiper-sensíveis, suscetíveis a qualquer gesto que demonstre rejeição, entre muitas outras qualidades e defeitos (mais defeitos do que qualidades). Elas continuam, durante muito tempo, com aquelas escamas que estavam nos olhos de Paulo (Atos 9:18), e vêem tudo distorcido. Atos de amor e compaixão são vistos como ataques, rejeição ou condenação.

Assim, para que todos sobrevivamos à jornada (Deut.8:15), precisamos da armadura de Deus, sem a qual não permaneceremos na Igreja. Cada dia é uma batalha contra o pecado, contra nossa natureza pecaminosa, contra aqueles que estão conosco em uma das igrejas de Cristo, mas que ainda não foram tomadas, enchidas, transformadas pelo Espírito de Deus.

É preciso ter consciência de que as pessoas que estão conosco nas igrejas de Cristo, mesmo não sendo nossas inimigas, podem fazer algo que nos magoe, nos entristeça, ou nos deixe humilhados. Mas isso não as torna nossas inimigas. Se ficamos feridos é porque nos deixamos ferir, porque não estávamos com a couraça da Justiça, ou com o escudo da fé, ou com os sapatos da paz. E isto não nos dá o direito de tratá-las como inimigas. Não há nada que um irmão de igreja faça que nos dê autorização para tratá-lo como um desafeto.

Nós, cada um de nós, somos os maiores aliados que o Diabo tem em sua obra contra a Igreja de Cristo, cada um de nós que nos ufanamos como sendo "filhos de Deus" (às vezes não tenho certeza se Deus nos olha do alto e reconhece em nós um filho...).

Como é que eu sei de tudo isto? Porque é o que está escrito na Bíblia, nas entrelinhas das Sagradas Escrituras.

O mais importante é o amor. O amor cobre multidão de pecados (I Ped.4:8). A misericórdia triunfa sobre o Juízo (Tiago 2:13).

Ao contrário do que muita gente na igreja pensa, nossos maiores problemas não estão nas regiões espirituais (de forma direta). Mas nas igrejas de Cristo, com nossos irmãos, e companheiros de jornada. Temos que amar, aceitar, ajudar e orar por essas pessoas (más, perversas, egoístas, hipersensíveis, e muitos outros predicados não muito recomendáveis) que estão conosco na jornada. Se não estivermos trajando a armadura de Deus seus atos (mesmo que involuntários) produzem feridas em nossas almas, corações, espíritos.

O Diabo não tem pressa. Ele tem todo o tempo do mundo para nos derrubar... Nós é que temos que ficar preparados para suportar (e sobreviver) às suas astutas ciladas.

Algum dia você se sentiu ferido e magoado por causa de algum irmão da igreja? Talvez até mesmo o pastor (diligente, líder)? Então o(a) amado(a) leitor(a) não estava com trajando a armadura de Deus. E não chegou ao final do dia firme e inabalável.

A batalha não ocorre somente aos domingos, mas a cada dia, todos os dias.



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